Se eu pudesse resumir a minha pessoa em duas palavras seriam: sonhadora e feliz.
Sonhadora, pois sonho sempre com aquela casa em S. Gonçalo com vista para a baía do Funchal, sonho que o homem perfeito para o resto da minha vida é um homem super romântico, que me mime a cada dia que passe, que me ofereça flores nas épocas especiais, que me ame, tal como o amarei mesmo com todas as virtudes e defeitos de ambos, que precise de mim, para que me sinta útil na vida dele, e que eu precise dele, para que sinta o seu apoio. Enfim, talvez algo que nunca vá acontecer, ou como diria a minha avó paterna: "Isso é coisa de filmes e novelas, a vida do dia-a-dia é bem diferente". No entanto, enquanto não pagarmos imposto por sonhar, continuarei a fazê-lo, pois a sonhar também sou feliz!
E sim, apesar de todas as voltas que a vida dá, apesar de todos os obstáculos que tenho de ultrapassar, eu me considero mesmo feliz! Sim! Sou feliz! Quem o nega é porque não me conhece, ou nem sabe quem eu sou. Quem não se considera uma pessoa feliz, não dá valor àquilo que tem. Sim! Eu estou a falar a sério! O que são os nossos problemazinhos, comparados com os problemas que muitos outros têm na vida? O que é o "não encontrar o lugar preferido para estacionar o automóvel" comparado com "não encontrar um lugar abrigado das constantes mudanças meteorológicas para passar a noite"?; o que é "chateei-me com o burro do meu patrão porque ele implica comigo e por isso tenho o dia estragado" comparado com "não ter dinheiro para dar de comer aos filhos pois estou desempregado num país sem ajudas governamentais"?; o que é "um terminar de uma curte com o gajo bom" comparado com "carências afectivas a vida inteira pois nunca conheceu a família"?
É quando penso em exemplos como estes que penso: Sou uma sortuda na vida que tenho: família que me apoia, namorado sempre pronto para tudo o que preciso, emprego onde ganho o meu sustento, amigos que estão sempre lá nos bons e maus momentos, casa onde possa dormir, carro para as voltas que precisar de dar, e com tudo aquilo que tenho, e mesmo com os pequenos pormenores que me possam faltar, EU SOU FELIZ!
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Tenra e boa!
Por vezes é impossível ignorar certos factos da vida. Por maior que seja o esforço que cada um faz, há sempre alguém que não está totalmente satisfeito. Ou pior, que é quando aqueles que nunca estão satisfeitos, são ao mesmo tempo aqueles que nunca mexem uma palha para ajudar! (In)felizmente a vida é assim e como me disseram: "Esta ainda é tenrinha aqui.." mas a verdade é que se foi pouco aquilo que fiz, foi pura e simplesmente porque não sabia mais. No entanto, "a tenrinha" foi aquela que arregaçou as mangas todos estes dias e ficou horas a fio a bater na mesma tecla até tudo, o que era da sua responsabilidade, estar a 100%.
Alguns sapos terão de ser engolidos ao longo da vida, e acho que estou preparada para tentar engoli-los. Afinal se sobrevivi a estes 4 dias, conseguirei sobreviver a muitos mais! E os "senhores perfeitos" que se preparem,...
Alguns sapos terão de ser engolidos ao longo da vida, e acho que estou preparada para tentar engoli-los. Afinal se sobrevivi a estes 4 dias, conseguirei sobreviver a muitos mais! E os "senhores perfeitos" que se preparem,...
sábado, 15 de janeiro de 2011
Elogio ao Amor Puro

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e a mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-socio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de “telefoneiros” e capangas de cantina, malta do "ta tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananoides, borra-botas, matadores do romance, românticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida as vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também." Miguel Esteves Cardoso
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